Dulce de Aragão

Quando o príncipe Sancho tornou-se rei em 1185 após a morte de D. Afonso I, ele tinha desde o começo uma rainha – Dulce de Aragão – e pelo menos três filhas já haviam nascido da união (MATTOSO, 2012, pps. 160-161). Mas quem era exatamente a esposa do segundo rei de Portugal?

D. Sancho I de Portugal
D. Sancho I de Portugal

Filha primogênita (segunda ou quarta criança) da rainha Petronilla de Aragão e seu consorte Raimundo, duque de Barcelona, além de irmã do futuro rei aragonês Afonso II, a infanta Dulce nasceu em data indefinida em 1160. Quando ela tinha aproximadamente nove anos, uma união com o herdeiro do trono português foi combinada; tal projeto de matrimônio visava unir ambos os reinos contra o expansionismo de Leão e Castela. O casamento foi consumado em 1174, quando a noiva tinha 14 anos e o príncipe Sancho quase 21. Assim, Aragão tornou-se o primeiro país ibérico a reconhecer Portugal como um reino próprio num momento em que este sofria perigo de ser reanexado por Castela.  E, como a rainha Mafalda morrera mais de dez anos antes, a jovem Dulce tornou-se tecnicamente a mulher mais importante da nascente corte portuguesa.

Apesar de ter propriedades em seu nome e, em 1192, talvez até mesmo ter governado por certo tempo em nome do marido doente, o fato é que o nome da rainha Dulce apenas aparece associado ao de seu marido e filhos, o que aponta para um certo apagamento político. Diferentemente de sua antecessora, porém, não existem quaisquer comentários sobre sua personalidade forte ou possíveis escândalos em seu matrimônio com o rei; na verdade, parece que D. Sancho I e a doce Dulce de Aragão tiveram um casamento estável por quase 25 anos. A falta de registro de amantes por parte do rei durante este período indicam que ele, assim como seu pai D. Afonso I, formou um laço emocional com sua esposa, mesmo que a união tivesse sido arranjada.

Dulce de Aragão
Dulce de Aragão

O casal real seria bastante fértil, gerando juntos no mínimo 11 filhos até a morte da rainha Dulce em 1198, provavelmente vítima da peste que assolava o reino português naquele momento. Entre os mais importantes estão a primogênita, D. Teresa (c. 1175 – 1250), que por certo tempo foi rainha de Leão antes de optar pela vida religiosa; D. Sancha (c. 1180 – 1229), que também se tornou religiosa e foi beatificada junto com a irmã mais velha em 1705; D. Afonso (1185 – 1223), que sucederia a seu pai no trono português; D. Pedro (1187 – 1258), que foi conde de Urgell e senhor das ilhas Beleares; D. Fernando (1188 – 1233), que foi conde de Flandres e Hainaut por matrimônio com a herdeira Joana; D. Mafalda (c. 1190 – 1256), que foi brevemente rainha de Castela e depois também seguiu vida religiosa, sendo beatificada em 1792; e, por último, D. Berengária (c. 1195 – 1221), que foi rainha de Dinamarca.

Depois do falecimento da esposa, D. Sancho I continuaria tendo filhos com sua amante Maria Aires até sua própria morte em 1212 (SERRÃO, 1978, pps. 398-399). Tantas crianças, porém, não impediriam uma crise política de grandes proporções no reino apenas duas gerações mais tarde.