Maria Sofia de Neuburgo – parte I

Nascida em um palácio localizado no ducado de Juliers, a poucos quilômetros da cidade imperial de Dusseldorf, a princesa Maria Sofia Isabel de Neuburgo veio ao mundo em seis de agosto de 1666, sendo uma das diversas filhas de Felipe, conde de Neuburgo, com sua esposa Isabel de Hesse-Darmstadt. Uma vez que esse fértil casal geraria nada menos do que 17 crianças sobreviventes durante sua longa união, as meninas daquela geração do ramo secundário da antiga Casa Wittelsbach seriam cobiçadas pelo mercado matrimonial europeu por sua presumida capacidade de gerar herdeiros. Em 1676, de fato, a primogênita do casal, Leonor, seria casada com Leopoldo, Sacro Imperador Romano Germânico, que não conseguira ter um filho homem em seus matrimônios anteriores; posteriormente, três irmãs suas se casariam respectivamente com Carlos II, rei de Espanha, Eduardo, príncipe de Parma e Jaime, príncipe de Polônia, cujas Casas tinham linhas de sucessão instáveis.

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O pai de Maria Sofia, o conde Felipe de Neuburgo

Quando Maria Sofia tinha 17 anos, morreria em Portugal a rainha Maria Francisca de Saboia, esposa do rei D. Pedro II. Embora o monarca tivesse tido vários casos extraconjugais em seus vários anos de casamento, o falecimento de Maria Francisca o deixou em prolongada tristeza. Nem o fato que a sobrevivência da recente dinastia de Bragança encontrava-se ameaçada pela frágil figura da princesa D. Isabel, que ainda sequer se casara, pôde convencer D. Pedro II a acelerar o processo para ter novas núpcias. Apenas em reunião do Conselho Real ocorrida em janeiro de 1685 foi que o monarca seria convencido, em nome da felicidade do reino, a casar-se de novo.

De início, a pressão sobre o rei era forte para que a aliança francesa fosse renovada (1). A principal candidata nesse sentido era a mademoiselle de Blois, filha legitimada do rei francês com sua antiga favorita, a marquesa de Montespan. Também seria proposta uma união com a mais madura mademoiselle de Lillebonne, uma princesa de Lorena, mas nenhuma dessas ideias iria realmente adiante. Enquanto isso, a facção pró-francesa da corte encontrava resistência em alguns nobres que defendiam uma reaproximação política com a Casa Habsburgo, principalmente vendo-se já no horizonte a intervenção política francesa após a morte do doente Carlos II de Espanha (2). Embora essa facção pró-Habsburgo tivesse pouco apoio na corte portuguesa propriamente dita, seus membros utilizaram-se da manipulação da opinião pública exterior ao paço real para vender os perigos que existiam em fortificar a aliança com a monarquia francesa.

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Mademoiselle de Blois, uma das esposas pensadas para D. Pedro II de Portugal

Procurando fugir da influência de França, então, a diplomacia portuguesa passou a procurar em semi-sigilo noivas para D. Pedro II nas diversas cortes imperiais. Na impossibilidade de casar o rei com uma Habsburgo de idade apropriada, ficou decidido definitivamente em meados de 1687 acertar um contrato matrimonial com Maria Sofia, a presumida fértil filha do conde de Neuburgo, que também, aliás, procurava resistir às influências políticas francesas, que ambicionavam anexar o pequeno território. D. Pedro II garantiria rapidamente à futura esposa as rendas e privilégios apropriados, após o qual o embaixador português foi autorizado a pedir a mão da princesa em casamento em nome do rei. Em cinco de  julho de 1687, quando já contava com quase 21 anos de idade, Maria Sofia deixou para sempre o castelo onde fora criada, iniciando seu percurso até Portugal.

Acompanhada por um séquito que contava aproximadamente com 350 pessoas, Maria Sofia percorreu o Reno até chegar à Holanda, onde seria recepcionada pelo príncipe de Orange e diversos nobres ingleses, incluindo um filho ilegítimo do rei Carlos II de Inglaterra, que era casado com a irmã mais velha de D. Pedro II de Portugal. Conduzida por eles, embarcou com sua comitiva nos naus de guerra que a levariam pela maior parte do caminho até Lisboa. Durante a viagem de sua noiva, D. Pedro II perdoaria alguns criminosos presos nas cadeias da capital, como era de costume em tais datas comemorativas, enquanto seu favorito e grande arquiteto das negociações diplomáticas com Neuburgo, o conde de Vilar Maior, distribuiria joias às damas da corte e dinheiro aos criados, demonstrando a generosidade do monarca.

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Pedro II de Portugal

No final de julho, Maria Sofia passaria para um iate inglês, onde seria conduzida em seu percurso pelo rio Tejo e onde testemunharia a salva de tiros dos navios portugueses quando sua frota passou em frente à igreja de São Paulo. Apenas em 11 de setembro, entretanto, Maria Sofia chegaria com a frota no porto de Ribeira. Quase que de imediato, subiram a bordo para recepcioná-la o conde de Santa Cruz, o conde de Vale de Reis, o conde de Ericeira e seu filho. Este faria um discurso em cinco línguas diferentes à nova rainha, ao qual Maria Sofia responderia individualmente sem hesitar, o que é uma prova da cuidadosa educação que apreendera em sua juventude. Como já haviam sido nomeados de antemão os oficiais da rainha, também subiriam a bordo a camareira-mor, o mordomo-mor e o estribeiro-mor antes que chegasse o rico bergantim de ouro e cetim que transportava D. Pedro II.

 

(1) Por via materna, Francisca Maria de Saboia havia sido descendente ilegítima de Henrique IV de França, o que a fazia uma aparentada do presente rei Luís XIV.

(2) Os franceses defendiam que a ausência de pagamento do dote da infanta Maria Teresa quando de seu casamento com Luís XIV, em 1660, tornara inválida a renúncia formal de seus direitos ao trono espanhol. Como ela falecera em 1683, sua pretensão passaria ao primogênito, o delfim Luís de França.

 

Luísa de Gusmão – parte IV

Quando se tornou rei de Portugal, em seis de novembro de 1656, D. Afonso VI estava a menos de um ano de completar quatorze anos de idade; tradicionalmente, essa era a idade legal que marcava o início da maioridade. Em princípio, portanto, Luísa de Gusmão teria uma regência curta, e a instabilidade inevitável gerada em tais períodos poderia ser facilmente dominada após o próximo aniversário do rei, quando ele mesmo assumiria as rédeas do poder. Tudo isso, porém, eram apenas pressupostos teóricos, vista a frágil saúde do monarca, além de sua instabilidade mental.

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D. Afonso VI

Desse modo, é plenamente possível que a viúva de D. João IV já se preparasse desde o início de sua regência para uma grande permanência no cargo, como de fato o foi. Escolhendo ministros para governarem sob sua liderança, D. Luísa encarregou-se de uma nova fase da guerra contra Espanha, quando as tropas portuguesas voltaram à ofensiva. O primeiro ano desta etapa marcaria, entretanto, um fracasso militar no longo cerco de Badajoz, onde, embora tendo uma vitória técnica, as tropas de D. Afonso foram destroçadas. O evento, aliás, marcou o início de uma espécie de paralisia na guerra. Enquanto os Habsburgo agora poderiam se dedicar a recuperar Portugal com o fim da revolta na Catalunha em 1653, agora tinham uma ausência crônica de soldados e recursos; os Bragança, por outro lado, estavam politicamente isolados na Europa, fracassando em obter um tratado com a França mediante o proposto casamento de Luís XIV com a infanta D. Catarina. O rei francês acabaria se casando em 1660 com a infanta Maria Teresa.

Após o fim das negociações com França, a regente voltou-se para a mais amigável Inglaterra, com a qual Portugal já assinara um tratado em 1654. De fato, é possível que as negociações francesas tenham sido muito mais uma jogada diplomática portuguesa para atrapalhar o casamento de Luís XIV com a prima espanhola do que uma proposta com intenções verdadeiras. Neste sentido, o começo das conversas visando um matrimônio entre Carlos II e D. Catarina podem ter se iniciado ainda antes da morte de D. João IV. A Restauração Inglesa em inícios de 1660, entretanto, tornou o acerto mais interessante e vantajoso para Portugal, que aceitaria pagar um exorbitante dote e ceder duas colônias à Inglaterra em troca de apoio militar contra Espanha.

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Catarina, rainha de Inglaterra

Em 1662, tendo a paz assegurada com o reino francês, o comando espanhol voltou à ofensiva. João de Áustria, filho ilegítimo de Felipe IV, lideraria uma tropa de milhares de homens para tomar a região do Alentejo, chegando a dominar a cidade de Évora por um curto período até ser forçado a abandonar o local após a grande vitória anglo-portuguesa na batalha de Ameixial. O mesmo ano conheceria o fim da regência de D. Luísa, que se retiraria para um convento após pressão por parte de D. Afonso VI, juntamente com o favorito real, o conde de Castelo Melhor e, a partir do golpe, Secretário de Estado do Reino de Portugal. O ano seguinte testemunharia o recuo definitivo das tropas lideradas por João de Áustria, embora este revés tenha sido compensado no ano seguinte pela ocupação de Vila Viçosa por exércitos do novo comandante dos Habsburgo, o marquês de Caracena.

A campanha do exército português para retomar Vila Viçosa, em 1665, eventualmente levaria à esmagadora vitória na batalha de Montes Claros. Depois disso, Espanha viu-se impossibilitada de tentar uma nova invasão, e ambos os lados começariam as negociações que levariam, em 1668, à assinatura do Tratado de Lisboa, que reconheceria por fim a legitimidade da dinastia de Bragança em Portugal e poria fim definitivo à guerra. A essa altura, porém, Luísa de Gusmão já estava morta, sendo vítima de falha pulmonar. Sepultada em Xabregas, ela eventualmente seria transferida para o Panteão dos Bragança, em Lisboa. Ao falecer em 27 de fevereiro de 1666, ela não testemunhou a anulação do breve casamento de seu primogênito D. Afonso com Maria Francisca de Saboia, o segundo casamento desta com o cunhado, D. Pedro, e o posterior exílio do filho mais velho até o fim da vida.

Para saber mais:

http://asaventurasdemark.blogspot.com.br/2013/08/d-luisa-de-gusmao.html

http://estoriasdahistoria12.blogspot.com.br/2014/04/mulheres-na-historia-lxvii-margarida-de_3.html

https://guerradarestauracao.wordpress.com

COSTA, Leonor Freire; CUNHA, Mafalda Soares da. D. João IV. Círculo de Leitores, 2012.

COSTA, Fernando Dores. A Guerra da Restauração – 1641-1668. Lisboa: Livros Horizonte, 2004.

LIVERMORE, Harold V. A New History of Portugal. Glasgow: Cambridge University Press, 1966.

Catarina de Bragança, rainha da Inglaterra

Nascida em 25 de novembro de 1638, a infanta D. Catarina foi a terceira filha (quarta criança) do matrimônio entre D. João, duque de Bragança, e D. Luísa de Gusmão, uma dama da poderosa Casa espanhola de Medina-Sidônia.  Muito provavelmente nomeada em homenagem à avó paterna, a menina tinha apenas dois anos de idade quando seu pai foi aclamado como D. João IV de Portugal, acabando com a dinastia de Habsburgo e iniciando a de Bragança naquela que foi chamada Guerra de Restauração Portuguesa.

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D. Catarina num retrato pré-nupcial (c. 1660)

Criada com três irmãos – Teodósio, Afonso e Pedro – e uma irmã – Joana – a infanta passou a infância em meio a uma família unida e amorosa. Politicamente, contudo, o recém-independente Portugal estava isolado em sua guerra contra Espanha. O único país europeu que o apoiaria seria a antiga aliada Inglaterra, liderada por Carlos I, que lutava naquele tempo seu próprio confronto interno contra o Parlamento. Para reforçar mais a união, ambos os monarcas concordariam com uma união matrimonial entre o herdeiro inglês, também chamado Carlos, e a secundogênita Catarina, a ser realizada quando ambos tivessem a idade apropriada. A guerra civil inglesa e a posterior execução do rei, contudo, colocariam tais planos em suspenso.

Enquanto isso, a irmã mais velha de Catarina, Joana, faleceria. Com isso, a infanta tornou-se a primogênita mulher sobrevivente, com seu valor no mercado matrimonial europeu subindo de acordo. Em consequência, novos candidatos apareceriam para cortejar sua mão, como João de Áustria, irmão ilegítimo de Felipe IV de Espanha, e o próprio rei francês Luís XIV. Entretanto, a mãe de Catarina, Luísa de Gusmão, regente desde a morte do marido em 1656, prosseguiu com negociações secretas com o herdeiro exilado de Carlos I, que ganharam nova força com a Restauração Inglesa em 1660. Endividado, o recém-proclamado Carlos II tinha todas as razões para casar-se com uma infanta que trazia consigo um vantajoso dote, mesmo que ela fosse católica. Finalmente, em 23 de junho de 1661, o contrato nupcial foi assinado. Pouco depois, Catarina começou a viagem para o país do futuro marido.

Em 20 de maio, Carlos finalmente encontraria a noiva em Portsmouth. No dia seguinte, ambos seriam casados em duas cerimônias distintas – uma católica, secreta, e outra protestante, pública. Embora Catarina não fosse exatamente belíssima, ela agradou ao rei, que considerou o matrimônio muito de seu agrado, conforme escreveu à sua irmã Henrietta. Há razões, portanto, para acreditar-se que o casamento foi consumado quase que de imediato. Catarina apaixonou-se pelo marido, que respeitaria até o fim de sua vida.

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Carlos II da Inglaterra

Porém, ela não era exatamente uma rainha popular. Além de ser católica num país protestante, o que a impediria de ser coroada, ela já tinha 23 anos de idade na época de seu matrimônio. A própria Catarina achou que a união com o rei inglês não ocorreria devido à sua idade, e partiu numa peregrinação de agradecimento em Lisboa quando o casamento foi confirmado. Mesmo assim, a religiosa infanta, que passara grande parte da juventude num convento, não possuía charme suficiente para reter o promíscuo esposo apenas em sua cama. Durante seu reinado de 25 anos, Carlos teria várias amantes e pelo menos 20 filhos; tragicamente, nenhum deles seria legítimo. Catarina ficaria grávida três vezes, mas todas as gestações acabaram prematuramente. Em 1663, durante uma doença grave, ela alucinaria que dera à luz, e seu marido a consolaria, garantindo que ambos tinham três filhos.

Na ausência de herdeiros legítimos de Carlos, seu sucessor natural era o irmão católico, James. Isso colocava a rainha Catarina numa posição bastante delicada. Sendo a esposa do rei, ela tinha óbvia influência cultural; seria seu desejo de prosseguir com o hábito português de tomar chá de tarde, típico entre a nobreza local, que acabaria instaurando o hábito geral na Inglaterra. Politicamente, contudo, ela possuía uma estrutura frágil. Os ataques a ela eram tão frequentes que o próprio rei tinha que intervir para proteger a rainha, resistindo a todas as tentativas para que ambos se divorciassem quando ficou claro, após um aborto ocorrido em junho de 1669, que eles não teriam nenhuma criança. Anos depois, Catarina seria implicada até mesmo numa tentativa de envenenamento do rei. Mesmo que não fosse fiel, portanto, Carlos II a honrava, insistindo que todas as suas amantes agissem em conformidade com a posição da rainha.

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Barbara Villiers, a mais famosa das amantes de Carlos II

O rei faleceu em 6 de fevereiro de 1685, convertendo-se ao catolicismo no leito de morte. Como o novo monarca, James II, era católico, a rainha viúva teve pela primeira vez liberdade para praticar sua fé livremente. A Revolução Gloriosa de 1688, contudo, complicaria a situação, uma vez que restaurou o anglicanismo. Inicialmente em bons termos com a rainha Maria II e o rei Guilherme III, Catarina perdeu o favor após uma série de desentendimentos. Ela retornaria para Portugal em março de 1699, onde acabaria como regente sucessivamente para o sobrinho e o irmão antes de sua própria morte em 31 de dezembro de 1705.

Para saber mais:

https://saintssistersandsluts.wordpress.com/2012/08/30/catherine-of-braganza-queen-of-england/

http://www.marryingcultures.eu/research/catherine-braganza

http://www.queensroyalsurreys.org.uk/queen_of_reg/catherine.html

http://www.britannica.com/biography/Catherine-of-Braganza

http://www.tea.co.uk/catherine-of-braganza

 

Você sabia?

A aliança anglo-portuguesa que possibilitou o casamento entre uma neta do rei inglês Eduardo III, Philippa de Lancaster, e D. João I de Portugal não se esgotou quando da união de ambos os nobres em questão. Na verdade, ela iniciou uma longa lista de negociações matrimoniais entre os reinos das ilhas britânicas e as monarquias da Península Ibérica. Entre os mais notáveis exemplos estão:

– Em 1388, a irmã mais nova de Philippa, Catarina, se casou com o rei de Castela, Henrique III, tendo com ele três filhos sobreviventes, incluindo o próximo rei, João II.

– Em 1450, o príncipe herdeiro de Aragão, Carlos, considerou um casamento com a princesa escocesa Isabel, recém-enviuvada do duque da Bretanha. A proposta causou oposição ferrenha da França e não foi adiante.

Carlos de Aragão
Carlos de Aragão

– Em 1468, houveram breves negociações para um casamento entre a irmã do rei de Castela, Isabel (futura Isabel I) e um dos irmãos do rei inglês Eduardo IV, provavelmente Ricardo, duque de Gloucester (futuro Ricardo III), mas parece que a proposta foi rapidamente deixada de lado.

Ricardo III da Inglaterra
Ricardo III da Inglaterra

– Em 1485, Ricardo III de Inglaterra e D. João II de Portugal iniciaram um projeto de matrimônio duplo: o rei inglês se casaria com a irmã do rei português, D. Joana, e este casaria a alegada sobrinha bastarda do inglês, Isabel de York (filha primogênita de Eduardo IV e futura rainha de Inglaterra como esposa de Henrique VII), com seu primo D. Manoel, duque de Beja (futuro D. Manuel I de Portugal). Porém, com a morte de Ricardo III no mesmo ano, morto na batalha de Bosworth contra os exércitos do futuro Henrique VII de Inglaterra, estes planos acabariam em nada.

– Em 1487, começaram as negociações de casamento entre Arthur, filho de Henrique VII e Isabel de York e herdeiro do trono inglês, e Catarina, filha caçula dos Reis Católicos, Isabel e Fernando. Em 1489, a aliança foi confirmada pelo tratado de Medina del Campo. Enquanto isso, o casal real espanhol também considerava um casamento entre a irmã mais velha de Catarina, Maria (futura rainha de Portugal como segunda esposa de D. Manuel I), e James IV de Escócia, mas este projeto não aconteceria de fato. Por outro lado, Catarina se casaria com Arthur em 1501, ficando viúva no mesmo ano, e se casaria novamente com o irmão de Arthur, o rei Henrique VIII, em 1509.

Catarina de Aragão
Catarina de Aragão

– Em data indefinida entre 1537 e 1540, começaram as negociações para um casamento entre Maria de Inglaterra (futura Maria I), única filha sobrevivente de Catarina e Henrique VIII, e o irmão de D. João III de Portugal, D. Luís, duque de Beja. A ideia foi eventualmente abandonada, provavelmente por resistência do pai de Maria ao pagamento do dote, além de problemas com a delicada sucessão real inglesa. A hipótese de que D. Luís também resistisse ao matrimônio por já ter secretamente se casado com a mãe de seu bastardo, D. Antônio, futuro postulante ao trono de Portugal na crise sucessória de 1580, é considerada por alguns historiadores. De qualquer forma, em 1554, Maria I se casaria com o futuro Felipe II de Espanha.

D. Luís, duque de Beja
D. Luís, duque de Beja

– Em 1661, foi assinado um contrato de casamento entre Carlos II de Inglaterra e Catarina de Portugal. Eles se uniriam no ano seguinte, mas a infanta portuguesa jamais seria coroada ou mesmo inteiramente aceita pela nobreza por seu catolicismo num reino fortemente protestante desde a dinastia Tudor. Com apenas três natimortos frutos do casamento, o reino acabaria sendo herdado pelo irmão de Carlos, James II, cujo catolicismo e eventual nascimento de um herdeiro causaria a Revolução Gloriosa em 1688.

– Em 1906, a neta e homônima da rainha Vitória do Reino Unido, sobrinha do rei Eduardo VII, se casou com o monarca espanhol Afonso XIII. Apesar de ter tido vários filhos, incluindo um herdeiro ao trono, este herdou o fatal gene da hemofilia do lado inglês da família, o que prejudicou gravemente as relações entre os monarcas espanhóis, além de contribuir para o temporário fim da monarquia na Espanha em 1931, quando a família real partiu para o exílio. O atual rei espanhol Felipe VI é seu bisneto.