Você sabia?

A aliança anglo-portuguesa que possibilitou o casamento entre uma neta do rei inglês Eduardo III, Philippa de Lancaster, e D. João I de Portugal não se esgotou quando da união de ambos os nobres em questão. Na verdade, ela iniciou uma longa lista de negociações matrimoniais entre os reinos das ilhas britânicas e as monarquias da Península Ibérica. Entre os mais notáveis exemplos estão:

– Em 1388, a irmã mais nova de Philippa, Catarina, se casou com o rei de Castela, Henrique III, tendo com ele três filhos sobreviventes, incluindo o próximo rei, João II.

– Em 1450, o príncipe herdeiro de Aragão, Carlos, considerou um casamento com a princesa escocesa Isabel, recém-enviuvada do duque da Bretanha. A proposta causou oposição ferrenha da França e não foi adiante.

Carlos de Aragão
Carlos de Aragão

– Em 1468, houveram breves negociações para um casamento entre a irmã do rei de Castela, Isabel (futura Isabel I) e um dos irmãos do rei inglês Eduardo IV, provavelmente Ricardo, duque de Gloucester (futuro Ricardo III), mas parece que a proposta foi rapidamente deixada de lado.

Ricardo III da Inglaterra
Ricardo III da Inglaterra

– Em 1485, Ricardo III de Inglaterra e D. João II de Portugal iniciaram um projeto de matrimônio duplo: o rei inglês se casaria com a irmã do rei português, D. Joana, e este casaria a alegada sobrinha bastarda do inglês, Isabel de York (filha primogênita de Eduardo IV e futura rainha de Inglaterra como esposa de Henrique VII), com seu primo D. Manoel, duque de Beja (futuro D. Manuel I de Portugal). Porém, com a morte de Ricardo III no mesmo ano, morto na batalha de Bosworth contra os exércitos do futuro Henrique VII de Inglaterra, estes planos acabariam em nada.

– Em 1487, começaram as negociações de casamento entre Arthur, filho de Henrique VII e Isabel de York e herdeiro do trono inglês, e Catarina, filha caçula dos Reis Católicos, Isabel e Fernando. Em 1489, a aliança foi confirmada pelo tratado de Medina del Campo. Enquanto isso, o casal real espanhol também considerava um casamento entre a irmã mais velha de Catarina, Maria (futura rainha de Portugal como segunda esposa de D. Manuel I), e James IV de Escócia, mas este projeto não aconteceria de fato. Por outro lado, Catarina se casaria com Arthur em 1501, ficando viúva no mesmo ano, e se casaria novamente com o irmão de Arthur, o rei Henrique VIII, em 1509.

Catarina de Aragão
Catarina de Aragão

– Em data indefinida entre 1537 e 1540, começaram as negociações para um casamento entre Maria de Inglaterra (futura Maria I), única filha sobrevivente de Catarina e Henrique VIII, e o irmão de D. João III de Portugal, D. Luís, duque de Beja. A ideia foi eventualmente abandonada, provavelmente por resistência do pai de Maria ao pagamento do dote, além de problemas com a delicada sucessão real inglesa. A hipótese de que D. Luís também resistisse ao matrimônio por já ter secretamente se casado com a mãe de seu bastardo, D. Antônio, futuro postulante ao trono de Portugal na crise sucessória de 1580, é considerada por alguns historiadores. De qualquer forma, em 1554, Maria I se casaria com o futuro Felipe II de Espanha.

D. Luís, duque de Beja
D. Luís, duque de Beja

– Em 1661, foi assinado um contrato de casamento entre Carlos II de Inglaterra e Catarina de Portugal. Eles se uniriam no ano seguinte, mas a infanta portuguesa jamais seria coroada ou mesmo inteiramente aceita pela nobreza por seu catolicismo num reino fortemente protestante desde a dinastia Tudor. Com apenas três natimortos frutos do casamento, o reino acabaria sendo herdado pelo irmão de Carlos, James II, cujo catolicismo e eventual nascimento de um herdeiro causaria a Revolução Gloriosa em 1688.

– Em 1906, a neta e homônima da rainha Vitória do Reino Unido, sobrinha do rei Eduardo VII, se casou com o monarca espanhol Afonso XIII. Apesar de ter tido vários filhos, incluindo um herdeiro ao trono, este herdou o fatal gene da hemofilia do lado inglês da família, o que prejudicou gravemente as relações entre os monarcas espanhóis, além de contribuir para o temporário fim da monarquia na Espanha em 1931, quando a família real partiu para o exílio. O atual rei espanhol Felipe VI é seu bisneto.