Isabel I de Castela – a diplomata e a mãe

Perto do fim da Guerra de Sucessão Castelhana, Isabel teria outra menina, a infanta Joana. Depois do fim do confronto e durante a estabilização de Castela, nasceu a infanta Maria, e enquanto o casal real guerreava contra os mouros no sul do reino nasceu a última filha, a infanta Catarina. Em 1492, a Reconquista chegava ao fim com a conquista da cidade muçulmana de Granada, e Fernando e Isabel puderam se dedicar melhor aos projetos matrimoniais de seus filhos, feitos de maneira que serviam às principais preocupações de Fernando: neutralizar a França, tradicional inimiga de Aragão, e reforçar a soberania espanhola.  Então, em 1490, a primogênita Isabel casou-se com o herdeiro português D. Afonso. Alguns anos depois do falecimento deste, ela voltaria a se casar com o primo dele, o rei D. Manuel I. Já a segunda filha, Joana, se uniu a Felipe, duque de Borgonha, em 1496, e seu único irmão, João, uniu-se à irmã de Felipe, Margarida, no ano seguinte.

Joana de Castela
Joana de Castela

Pouco depois, porém, a sequência de mortes que arruinaria a política dinástica de Fernando começou: o príncipe João faleceu subitamente, deixando a esposa grávida com uma menina que também morreu pouco depois do parto. Com essa sequência de trágicos eventos, a rainha de Portugal acabou tornando-se novamente a herdeira do trono de Castela, como já o fora antes do nascimento do irmão algumas décadas antes. A possibilidade de união peninsular completa ficaria ainda mais forte se Isabel, que acabara de se descobrir grávida de D. Manuel I, pudesse dar à luz um menino: no caso, o infante também poderia legitimamente herdar Aragão, reino ainda regido pela antiga lei sálica, que, em princípio, excluía quaisquer possíveis herdeiras da sucessão.

No mesmo ano, D. Isabel e D. Manuel I foram oficialmente convocados pelas Cortes castelhanas e aragonesas a prestar juramento como herdeiros do trono. Pouco depois, nasceu um menino, D. Miguel, embora sua mãe, enfraquecida com o esforço e constantes jejuns religiosos, morresse pouco depois nos braços de D. Manuel I. O pequeno príncipe, porém, também morreria em 1500. Rapidamente, a infanta Maria foi enviada para Portugal para ser a segunda esposa de D. Manuel I, mas a herdeira da Espanha unificada agora era a segunda filha emocionalmente instável de Isabel e Fernando, a infanta Joana, que pouco antes tivera um menino, Carlos. A rainha de Castela, contudo, jamais superou a morte de seu único e adorado filho, com sua saúde declinando progressivamente desde o falecimento do príncipe João. Ela ainda viveu para ver a partida da última filha, Catarina, em 1501, rumo à Inglaterra para se casar com o príncipe Arthur, herdeiro do trono, e as dificuldades que a caçula passou em solo inglês após o falecimento precoce do primeiro marido logo no ano seguinte.

Isabel morreria em 26 de novembro de 1504. Seu viúvo, Fernando, se casaria novamente para produzir um herdeiro para Aragão no lugar do filho estrangeiro de Joana, mas seus esforços foram em vão. Ele faleceria amargurado 12 anos depois da primeira esposa. Seu sucessor, Carlos, reinaria sobre ambos os reinos de seus avôs maternos e sobre os domínios herdados do avô paterno, sendo o monarca mais poderoso da primeira metade do século XVI na Europa.

Isabel I de Castela interpretada pela atriz Michelle Jenner na série homônima (2011-14)
Isabel I de Castela interpretada pela atriz Michelle Jenner na série homônima (2011-14)

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