Fernando de Aragão, o “catalão astuto”

Filho e futuro herdeiro de João II de Aragão e Joana Enríquez, Fernando de Aragão nasceu em 1452. Na época, o provável sucessor do trono de Aragão era seu irmão mais velho, o príncipe Carlos, fruto do primeiro casamento de seu pai com Blanche de Navarra. Em 1461, porém, ele morreu misteriosamente, provavelmente envenenado por sua madrasta, e o jovem Fernando tornou-se herdeiro.

Fernando de Aragão
Fernando de Aragão

Nesta nova situação, sua união com a infanta castelhana Isabel começou a ser perseguida com empenho. Em pouco tempo, porém, o projeto seria abandonado. Nos princípios da crise sucessória castelhana, o projeto foi subitamente ressuscitado como um meio de garantir a permanência dos Trastâmara em ambos os reinos, gerando assim novamente, depois de um intervalo de alguns séculos, uma ideia de união ibérica. Como, porém, o irmão de Isabel, Henrique IV, era contrário à união, eles se casariam em segredo em 1469 com uma dispensa papal possivelmente falsificada. A primeira filha do casal, homônima da mãe e futura consorte de D. Manuel I de Portugal, nasceria já no ano seguinte. Quatro outras crianças se seguiriam: João, herdeiro do trono até sua precoce morte (1478-1497), Joana, futura rainha de Espanha (1479-1555), Maria, futura rainha de Portugal (1482-1517) e Catarina, futura rainha de Inglaterra (1485-1536). Após a vitória de Isabel contra sua sobrinha supostamente bastarda, ela e Fernando passaram a reinar conjuntamente, inaugurando a era de ouro espanhola.

Os termos do contrato pré-nupcial de Isabel e Fernando, porém, firmavam claramente o papel do herdeiro aragonês no governo comandado por Isabel: além de explicitar que Isabel seria “la reina proprietaria”, ainda exigia que Fernando fosse viver permanentemente em Castela (ELLIOTT, 1963, p. 15). Tendo em vista estes termos, podemos compreender melhor o papel de Fernando como rei “jure uxoris” (pelo direito da esposa); apesar de ser mais do que um simples consorte, ele ainda era subordinado à esposa nos assuntos castelhanos, agindo como um co-gestor auxiliar. Enquanto isso, em Aragão, Isabel seria apenas a rainha consorte.

Fernando e Isabel
Retrato de casamento de Fernando e Isabel

Estes termos algo humilhantes no contexto do século XV não podem esconder, porém, a autoridade de Fernando em sua relação marital com a piedosa Isabel, que se submetia a ele em privado de acordo com a concepção cristã de casamento. Por mais que sua autoridade política em Castela fosse limitada, portanto, ele continuaria a ser o principal conselheiro da esposa até a morte dela em 1504, agindo depois como o regente para a herdeira dita insana, sua filha Joana. Sem conseguir produzir um herdeiro homem com sua segunda esposa, Germaine de Foix, para impedir que Aragão fosse anexado aos domínios Habsburgo por meio do filho estrangeiro de Joana, Carlos, ele faleceria amargurado em 1516 (FRASER, 1992, pps. 21-23 e p. 105).

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