Carlos V: o homem mais poderoso do século XVI

Carlos V no auge de seu poder
Carlos V no auge de seu poder

Carlos V, Sacro Imperador Romano e rei de Espanha, frequentemente nomeado por historiadores como sendo o homem mais poderoso da Europa no século XVI, foi o primogênito homem (segunda criança) fruto do casamento entre Joana de Aragão e Felipe, duque de Borgonha. Ele teria nascido nas cozinhas – ou nas latrinas – de um palácio de Flandres, onde sua obcecada mãe estivera escondida para vigiar seu pai mulherengo. Apesar de ser uma história bastante disseminada, com uma versão aparecendo inclusive na série Isabel, não há registros contemporâneos de tal evento peculiar.

Cena do nascimento do futuro Carlos V na série Isabel (2012-14)
Cena do nascimento do futuro Carlos V na série Isabel (2012-14)

Pouco antes, uma série de trágicas mortes entre sua família materna havia aproximado sua mãe Joana da cobiçada posição de herdeira de Espanha. Em 1497, o único irmão dela, João, morrera de tuberculose. Menos de dois meses depois, sua viúva, Margarida de Áustria, dera à luz uma menina natimorta. Logo no ano seguinte, a primogênita, Isabel, rainha de Portugal por seu casamento com D. Manuel I, falecera ao dar à luz àquele que poderia ser o herdeiro da Península Ibérica unificada, D. Miguel. Portanto, quando Carlos nasceu em 24 de fevereiro de 1500, a herança de Espanha estava sobre uma frágil criança de menos de dois anos, que de fato morreria pouco depois.

Assim, sua mãe entrou na linha direta para ser a terceira rainha reinante de Castela depois de sua avó Isabel e sua distante antepassada Urraca. Seu ambicioso pai, porém, aproveitando-se da instabilidade emocional de Joana, usurpou perigosamente seus poderes. Tentando impedir a anexação de Castela pelos Habsburgo depois da morte de Isabel I em 1504, seu avô Fernando iniciou uma disputa direta pelo poder com Felipe, que só terminou com um acordo entre as partes em 1506. A morte do duque de Borgonha em 1506, porém, causou uma insanidade temporária na rainha Joana, o que motivou Fernando a trancá-la no palácio de Tordesilhas e a governar em seu próprio nome até seu falecimento em 1516. Após isso, o jovem Carlos assumiu seu lugar como carcereiro.

Rainha Joana de Castela
Rainha Joana de Castela

Aos 16 anos, o príncipe tinha uma educação primorosa. Além do nativo francês, ele também aprendera alemão, e mais tarde um razoável espanhol. Um de seus tutores, Adrian de Utrecht, se tornaria papa. Sua regente, Margarida de Áustria, tornou-se uma verdadeira figura materna na ausência de Joana. Em 1516, quando Carlos foi aclamado rei depois da morte de seu avô, ele visitou sua mãe para requisitar sua permissão solene para reinar em Espanha. Embora ela concordasse com todos os seus pedidos, permaneceria presa pelo resto da vida, uma vez que era a sua suposta insanidade que legitimava o reino de seu filho.

Sendo Sacro Imperador Romano por herança paterna e rei de Espanha por via materna, Carlos era o soberano de metade da Europa. De acordo com essa posição elevada, ocorreram diversas negociações para o seu casamento. Sua primeira noiva foi a princesa Maria de Inglaterra, filha de Henrique VII. Depois, ele teve um compromisso com duas das filhas de Francisco I de França que morreram jovens, e em seguida chegou a se comprometer formalmente com a herdeira de Henrique VIII de Inglaterra, outra princesa Maria, futura rainha Maria I. Em 1526, contudo, ele acabou se casando com sua prima Isabel de Portugal, num casamento ibérico amplamente desejado pelas Cortes castelhanas. Uma das mulheres mais belas e inteligentes do século XVI, Isabel era a primogênita mulher (segunda criança) do casamento de D. Manuel I e Maria de Aragão. Ela e Carlos teriam um filho e duas filhas: Felipe, futuro rei de Espanha, Maria, futura Sacra Imperatriz Romana, e Joana, futura Princesa de Portugal. Isabel morreria em 1539 depois de um parto prematuro, deixando Carlos V profundamente abalado e vestindo luto fechado pelo resto de sua vida. Ele também não se casaria novamente.

Isabel de Portugal
Isabel de Portugal

Como rei, Carlos foi amplamente vitorioso por grande parte de sua vida, vencendo inimigos tão variados como o papa Clemente VII, o rei francês Francisco I, o duque de Saxônia e Suleiman, o Magnífico, líder do Império Otomano, marcando assim profundamente a primeira metade do século XVI na Europa. Foi também durante seu reino que se definiu a conquista espanhola sobre grande parte das Índias Ocidentais. Em 1555, porém, desestabilizado politicamente pelas revoltas protestantes e bastante doente, aquele que já fora o homem mais poderoso de todos os reinos cristãos abdicou e se refugiou num mosteiro espanhol, dividindo o gigantesco império entre seu filho Felipe e seu irmão Fernando. Ele morreria em 1558.

Curiosidade: O lema presente ainda hoje na bandeira de Espanha, “Plus Ultra” (Mais Além em latim), era a divisa pessoal de Carlos V.

Detalhe da bandeira espanhola com o lema
Detalhe da bandeira espanhola com o lema “Plus Ultra”, a divisa pessoal de Carlos V

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