D. Luís, duque de Beja

Em razão da frágil saúde do último filho homem sobrevivente de D. João III e Catarina de Áustria, o casamento de D. Maria, primogênita do casal, tornou-se um assunto de especial preocupação do reino português em fins da década de 1530. Um dos principais candidatos à mão da infanta seria D. Luís, duque de Beja e irmão mais novo do rei.

Nascido em 1506, D. Luís era o segundo filho homem de D. Manuel I e sua consorte Maria de Aragão. A predileção do pai por ele desde cedo alimentou alguma rivalidade com o príncipe D. João, o irmão quatro anos mais velho. Ambos tinham personalidades opostas: enquanto o futuro rei era reservado e algo desinteressado, o secundogênito cresceu para ser aventureiro e ambicioso. Embora perfeitamente adequados à mentalidade da nobreza da época, os desejos de D. Luís de glória e prestígio pessoal por meio de conquistas militares eram frustrados por D. João III, que lhe negou o comando de expedições portuguesas em diversas ocasiões.

D. Luís de Portugal enquanto criança
D. Luís de Portugal enquanto criança

Da mesma forma, em contraste direto com o tratamento que fornecia aos outros irmãos, o rei não se preocupava especialmente pela questão do casamento do irmão ainda solteiro, nem lhe forneceu outros títulos nobiliárquicos importantes que não o do ducado de Beja e o priorado de Crato. Apesar disso tudo, porém, a fidelidade de D. Luís era notável. Uma anedota registrada em fins do século XVI mostra o espírito do relacionamento. Segundo ela, certo dia o rei teria comentado que “A nenhum dos infantes pediria nunca nada: ao infante D. Luís, porque nenhuma coisa lhe peço que me negue: ao infante D. Fernando, porque nenhuma coisa lhe peço que me faça.” (SARAIVA, 1994, p. 32). Podemos concluir, portanto, que mesmo que certa rivalidade permeasse o relacionamento entre os irmãos, a piedade religiosa comum a ambos dava o tom principal da convivência, permitindo poucos conflitos.

Em 1540, porém, quando a infanta D. Maria era vista como a provável herdeira do trono português em substituição ao frágil irmão e D. Luís pediu permissão ao rei para desposá-la e, assim, procurar garantir a continuação da dinastia dos Avis, o monarca se enfureceu em pleno conselho e negou o pedido, deixando claro que não permitiria sequer a possibilidade do irmão tornar-se rei após a sua morte. Uma facção importante da nobreza, contudo, apoiava as pretensões de D. Luís como forma de impedir a união peninsular que poderia vir do planejado casamento entre D. Maria e o príncipe Felipe, herdeiro de Espanha. De qualquer forma, estas núpcias eram apoiadas pelos monarcas e acabariam por se realizar em 1545, motivadas fosse pela ambição pessoal de Catarina de Áustria de ver a filha como rainha de Espanha, segundo a interpretação de Queiroz Velloso, fosse pela desejada continuação de uma política matrimonial que começara gerações antes, como defende Joaquim Magalhães.

Apesar de outras negociações de casamento, entre elas com a futura rainha de Inglaterra, Maria I, oficialmente D. Luís permaneceria solteiro até sua morte em 1555. Boatos de época, entretanto, consideram provável um matrimônio secreto entre ele e uma amante cristã-nova, Violante Gomes. Mais tarde, o único filho da união, D. Antônio, utilizaria isto para tentar legitimar sua pretensão ao trono de Portugal durante a crise sucessória de 1580.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s